sábado, 5 de abril de 2025
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Consignado CLT é oferecido com taxa maior que linha antiga

como vai funcionar o programa de apoio e crédito a pequenos negócios

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Anunciado como um tipo mais barato de empréstimo, o Crédito do Trabalhador tem oferecido para muitas pessoas taxas semelhantes ou até mais altas do que outras opções disponíveis no mercado. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ainda não divulgou dados oficiais sobre o juro médio da modalidade, mas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil confirmaram cobrar taxas médias anuais de 20,97% a 45,67% e 18,99% a 42,58% respectivamente.

Crédito do Trabalhador: como avaliar se o novo consignado privado vale a pena? 

As ofertas destes bancos no entanto não chegam para todas as pessoas. Em propostas acessadas pela IstoÉ Dinheiro, foram encontradas taxas de 48,90% até 87% ao ano em três instituições: Agibank, Itaú e Parati. Todas ficam acima do juro médio do crédito pessoal no país em janeiro de 2025, que foi de 45,6% segundo dados do Banco Central (BC).

De acordo com o BC, as taxas dos bancos públicos assemelham-se às ofertadas por outras modalidades do consignado, que em janeiro de 2025 foram as seguintes:

  • Consignado para servidores públicos: 24,2%
  • Consignado para beneficiários do INSS: 23,2%
  • Consignado para trabalhadores do setor privado: 41,2%

“Até o momento a taxa está em pé de igualdade com outras que a gente já tinha no mercado. Em alguns casos até maior do que créditos que o consumidor conseguia”, analisa a conselheira do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Marisa Rossignoli.

Segundo o MTE, a expectativa é divulgar uma taxa média do novo consignado nos próximos dias. “O Ministério está acompanhando esse assunto diariamente através de informações fornecidas pela Dataprev”, afirma o órgão por meio de sua assessoria.

Consignado pode aumentar endividamento

Balanço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que o Crédito do Trabalhador já liberou R$ 3,1 bilhões em empréstimos para 500.083 trabalhadores. O valor médio foi de R$ 6.284,45 por trabalhador, com parcelas de R$ 350,11.

Os números geram uma preocupação de que o programa acabe por ampliar o endividamento da população ao invés de reduzi-lo.

O alerta é agravado pela comunicação adotada durante os primeiros dias do programa, com falas que destacavam ser um “crédito mais barato”. Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann chegou a publicar um vídeo em que propagandeava: “Apertou o orçamento? O juro está alto? Pega o empréstimo do Lula.”

“O grande risco é a pessoa que não está endividada, em função da disponibilidade de dinheiro e até da propaganda, pegar esse crédito para antecipar um consumo e acabar se endividando”, adverte Marisa Rossignoli.

O primeiro ponto a se analisar antes de buscar o consignado são os motivos do empréstimo. O dinheiro com juros é recomendado para emergências, e não para aumentar o consumo.

“Demanda reprimida todos nós temos, alguma coisa que a gente gostaria de já estar consumindo e não estamos”, sintetiza Rossignoli. “Agora, se eu fizer esse consumo com endividamento de médio prazo, significa que eu vou ficar um bom tempo pagando isso e, num futuro próximo, não vou poder realizar mais consumo.”

Contrair empréstimos no momento é especialmente desaconselhado devido ao alto patamar da taxa básica de juros, a Selic, fixada em 14,25%. A escala elevada afeta todo o ambiente de crédito, que passa a contar com cobranças maiores. Projeções do mercado financeiro reunidas no Boletim Focus indicam que a Selic deve subir ainda mais até o fim do ano.

Segundo Rossignoli, o novo empréstimo consignado pode no entanto ser utilizado como substituto de outros de fato mais caros. Ainda há modalidades com juros mais altos, como o cheque especial (135,1%), o rotativo do cartão de crédito (445,6%) e até o crédito pessoal sem consignação (99,7%).

Mesmo nestes casos, é recomendável aguardar até o dia 25 de abril, quando os bancos poderão oferecer propostas de crédito consignado dentro de suas plataformas. O governo aposta que haverá então uma queda nos juros cobrados.

“Pode haver a entrada de novos bancos, melhorar um pouquinho, mas eu não vejo uma grande mudança e não vejo também como uma grande alternativa para a população”, conclui Rossignoli.

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Fonte: B3 – Bora Investir

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