sexta-feira, 4 de abril de 2025
Search

Governo publica MP com medidas para buscar déficit zero em 2024 

Governo publica MP com medidas para buscar déficit zero em 2024 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou nesta sexta-feira (29) a medida provisória anunciada ontem (29) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com o objetivo de manter o déficit zero nas contas públicas no ano que vem.  

As medidas foram anunciadas após derrotas no Congresso, como a derrubada do veto à desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia, neste mês, que pesaram nas contas públicas, ameaçando o previsto na Lei Orçamentária Anual recentemente aprovada, de déficit fiscal zero – quando há equilíbrio entre receita e gastos públicos.  

São três medidas principais: a reoneração da folha de pagamentos das empresas; a revisão do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse); e a limitação de compensações de créditos tributários obtidos pelas empresas na Justiça.  

“Essas medidas de hoje são reavaliações de projetos que não deram certo. Estamos repondo uma perda de arrecadação para cumprir os objetivos do marco fiscal”, afirmou Haddad em coletiva de imprensa na quinta-feira (28).  “Estamos botando ordem no orçamento”, reiterou o ministro da Fazenda.    

A MP tem validade imediata, mas prevê que alguns pontos devem entrar em vigor apenas em 90 dias, em abril do ano que vem, atendendo a regras da legislação tributária.  

Reoneração da folha de pagamentos 

Uma das propostas mais controversas da MP publicada nesta sexta diz respeito a uma reoneração gradual da folha de pagamentos. A medida substitui uma lei aprovada no Congresso que desonerava a folha de 17 setores da economia. Trechos da lei chegaram a ser vetados por Lula, mas teve o veto derrubado pelos parlamentares.  

A MP prevê que, no lugar da desoneração, deve haver uma reoneração gradual pelos próximos quatro anos da contribuição patronal sobre a folha. Pelos cálculos da Fazenda, o objetivo é recuperar R$ 6 bilhões em arrecadação já no ano que vem.  

O governo não eliminou por completo a desoneração, mas estabeleceu que ela só deve incidir sobre o primeiro salário mínimo recebido pelos empregados. A cota patronal de contribuição à Previdência Social, contudo, fica restabelecida para pagamentos acima desse valor.   

Outra mudança é que, em vez de beneficiar setores inteiros, a medida estabelece grupos esmiuçados por atividade econômica: um composto por atividades de transporte, rádio e televisão e tecnologia da informação; outro com atividades ligadas à indústria têxtil e de calçados, obras de infraestrutura e mercado editorial.  

O primeiro grupo deverá voltar a pagar 10% de contribuição patronal sobre a folha de pagamentos em 2024, alíquota que sobre para 12,5% em 2025, 15% em 2026 e 17,5% em 2027. O segundo grupo será reonerado em 15% em 2024, 16,25% em 2025, 17,5% em 2026 e 18,75% em 2027.  

Vale lembrar que tais percentagens incidem somente sobre o primeiro salário mínimo recebido por cada trabalhador. Acima disso fica restabelecida as alíquotas previstas pela legislação que rege cada setor da economia. De todo modo, a reoneração deve entrar em vigor apenas em 1º de abril de 2024.    

Perse  

Outra medida prevê uma revisão no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), que foi criado em 2021 para socorrer o setor com uma desoneração total de impostos em meio à paralisação provocada pela pandemia de covid-19. A medida foi inicialmente prevista para durar dois anos, mas neste ano foi prorrogada para cinco anos pelo Congresso.  

Pela MP publicada nesta sexta, o programa deve ser descontinuado pelos próximos dois anos. Em 2024, deve se voltar a cobrar as contribuições sociais sobre o faturamento das empresas. Em 2025 volta a cobrança do Imposto de Renda.  

Na quinta, Haddad disse que desde o início houve um entendimento do Congresso de que o Perse deveria ser revisto caso a renúncia fiscal inicialmente calculada, de R$ 20 bilhões em cinco anos, fosse superada antes desse prazo.  

Pelos cálculos preliminares da Fazenda, somente neste ano o programa já ocasionou a renúncia de no mínimo R$ 16 bilhões, motivo pelo qual o governo decidiu propor a revisão do Perse.  

Por envolver a volta da cobrança de impostos, a reoneração do setor de eventos também deve vigorar somente a partir de 1º de abril.  

Compensações tributárias  

A MP do governo também colocar regras para que as empresas possam compensar junto à Receita Federal os créditos tributários eventualmente obtidos em causa na Justiça contra a administração pública. 

Antes, as empresas podiam compensar 100% desses créditos de uma vez, por vezes eliminando totalmente o pagamento de impostos em determinado ano. Segundo estimativa parcial da Fazenda, somente neste ano foram R$ 65 bilhões em perda inesperada de arrecadação somente com essas compensações.  

Agora, tais compensações ficam limitadas e os créditos tributários somente poderão ser descontados dos impostos a pagar de forma escalonada, mês a mês. A limitação para as compensações vale para créditos acima de R$ 10 milhões, e os limites mensais ainda devem ser estabelecidos em ato do Ministério da Fazenda.  

A medida é a única da MP publicada nesta sexta que entra em vigor de imediato.     



Fonte: Agência Brasil

Gostou? Compartilhe com um Amigo!

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Siga nossas Redes Sociais

Google_News_icon
Google News

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem viu esse, também viu estes

Termina nesta sexta entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural

Termina nesta sexta entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural

Publicada portaria que reajusta benefícios do INSS acima do mínimo

Publicada portaria que reajusta benefícios do INSS acima do mínimo

Ipea aponta deflação em julho para as famílias de renda muito baixa

Ipea aponta deflação em julho para as famílias de renda muito baixa

Câmara aprova MP que restringe dedução do ICMS e reforça caixa em 2024

Câmara aprova MP que restringe dedução do ICMS e reforça caixa em 2024

Petrobras assina venda de participação em dois campos em Santos 

Petrobras assina venda de participação em dois campos em Santos 

CVM lança versão atualizada da cartilha sobre Forex

CVM lança versão atualizada da cartilha sobre Forex

Projeto em São Paulo mostra potencial da energia solar no Brasil

Projeto em São Paulo mostra potencial da energia solar no Brasil

Ibovespa fecha em alta de 2,21% e volta aos 130 mil pontos com bancos em destaque

Ibovespa fecha em alta de 2,21% e volta aos 130 mil pontos com bancos em destaque

Novo edital de leilão de arroz sai em até dez dias, diz Paulo Teixeira

Novo edital de leilão de arroz sai em até dez dias, diz Paulo Teixeira

Mercado reduz novamente previsão de inflação para 2024

Mercado reduz novamente previsão de inflação para 2024

após 24 horas, declaração online do Imposto de Renda segue com falhas

após 24 horas, declaração online do Imposto de Renda segue com falhas

Procon-SP monitora preços do arroz para evitar especulação

Procon-SP monitora preços do arroz para evitar especulação

Dívida Pública sobe 1,85% em novembro e supera R$ 7,2 trilhões

Dívida Pública sobe 1,85% em novembro e supera R$ 7,2 trilhões

Financiamento de veículos cresce 15,4% em maio em relação a 2023

Financiamento de veículos cresce 15,4% em maio em relação a 2023

Com queda de 3,18%, IGP-M de 2023 é o menor já registrado

Com queda de 3,18%, IGP-M de 2023 é o menor já registrado

BNDES aumenta aprovações de crédito em 83% no 1º semestre

BNDES aumenta aprovações de crédito em 83% no 1º semestre