quinta-feira, 3 de abril de 2025
Search

Buraco no piso da saúde para este ano pode chegar a R$ 21 bilhões

Buraco no piso da saúde para este ano pode chegar a R$ 21 bilhões

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Reinstituído pelo novo arcabouço fiscal, o piso de gastos para a saúde requer que o governo destine até R$ 21 bilhões para a área ainda este ano, disse nesta sexta-feira (22) o secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Paulo Bijos. Ele disse que o governo está avaliando as opções de onde tirar recursos para gastar os R$ 189 bilhões de limite mínimo.

Segundo o antigo teto de gastos, os limites mínimos para a saúde e a educação eram corrigidos conforme os gastos de 2016, corrigidos pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O novo arcabouço restabeleceu a regra anterior, que obriga o governo a aplicar 15% da receita corrente líquida (RCL) em valores atualizados, conforme determina a Constituição.

Atualmente, o Orçamento de 2023 reserva R$ 168 bilhões para a saúde. O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que atualiza as estimativas sobre o Orçamento divulgado nesta sexta-feira, atualizou as estimativas da RCL para cerca de R$ 1,26 trilhão, elevando o limite mínimo para R$ 189 bilhões.

“Para esta RCL de agora [valor estimado no relatório de setembro], chegaríamos a R$ 20 bilhões [de diferença]”, reconheceu Bijos em entrevista coletiva durante a apresentação do relatório bimestral.

Contingenciamento

O relatório apresentado nesta sexta não incluiu os R$ 21 bilhões na nova estimativa para gastos obrigatórios. Se o valor fosse considerado, o governo teria de contingenciar (bloquear temporariamente) o mesmo valor de outros ministérios, o que ameaçaria o funcionamento de serviços públicos, situação conhecida como shutdown.

Segundo o secretário de Orçamento Federal, a não inclusão ocorreu porque setores do próprio governo divergem sobre o valor a ser recomposto ao piso da saúde. Bijos, no entanto, afirmou que o governo cumprirá a Constituição e dará uma solução para o tema ainda em 2023. Isso porque a apuração do cumprimento dos pisos mínimos para saúde e educação só ocorre ao fim de cada ano.

Projeto de lei

O governo tenta resolver a questão por dois caminhos. Em primeiro lugar, a equipe econômica aguarda o desfecho de um processo no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os pisos constitucionais da educação e da saúde aberto pelo Ministério Público. O governo também cogita fazer uma consulta própria ao órgão caso o processo demore. Em segundo lugar, tenta diminuir no Congresso o impacto dos novos limites mínimos.

No último dia 14, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei complementar que permite que o percentual de 15% seja aplicado à RCL que consta da versão original do Orçamento Geral da União. A mudança reduziria o impacto de R$ 21 bilhões para R$ 5 bilhões. Isso porque o texto original do Orçamento de 2023 previa R$ 108,8 bilhões a menos de receitas líquidas em relação ao Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas de setembro.

O projeto de lei complementar trata da compensação da União a estados e municípios por causa do corte do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis na campanha presidencial do ano passado. Durante a tramitação, o líder do PT na Câmara, deputado Zeca Dirceu (PT-PR), relator da proposta, incluiu a mudança no cálculo do piso mínimo da saúde.

Resposta

Mesmo com uma eventual redução do limite, o secretário de Orçamento Federal destaca que o governo não deixou de dar prioridade à saúde. “Com o teto de gastos, o piso seria R$ 147 bilhões, nós temos em 2023 uma dotação de R$ 168 bilhões [para a saúde]. Estamos bastante acima, temos R$ 20 bilhões a mais [em relação ao limite original]”, declarou.

Paulo Bijos também destacou que o governo reservou R$ 7,3 bilhões para pagar o piso nacional da enfermagem, despesa que não está no limite mínimo da saúde. Em relação a 2024, o secretário explicou que uma grande parte do aumento de R$ 50 bilhões para o setor decorre da regra do mínimo constitucional.

Durante a tramitação do novo arcabouço fiscal, o governo tentou incluir uma regra de transição para repor os mínimos constitucionais para a educação e a saúde, mas não conseguiu. No fim de março, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que o governo estudava o envio de propostas de emenda à Constituição em 2025 para mudar o cálculo dos pisos de gastos e encontrar um outro critério que não fosse uma vinculação às receitas.



Fonte: Agência Brasil

Gostou? Compartilhe com um Amigo!

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Siga nossas Redes Sociais

Google_News_icon
Google News

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem viu esse, também viu estes

Haddad diz que inflação média do governo Lula será inferior a 4%

Haddad diz que inflação média do governo Lula será inferior a 4%

Confira a agenda de dividendos de março

Confira a agenda de dividendos de março

IGP-M registra inflação de 0,59% em novembro, aponta FGV

IGP-M registra inflação de 0,59% em novembro, aponta FGV

IPCA-15, fiscal e meta de inflação concentram atenções

IPCA-15, fiscal e meta de inflação concentram atenções

Mercado eleva previsão da inflação de 3,98% para 4% em 2024

Mercado eleva previsão da inflação de 3,98% para 4% em 2024

O que você precisa saber dos planos do BB (BBAS3) para manter payout de 45% até 2027

O que você precisa saber dos planos do BB (BBAS3) para manter payout de 45% até 2027

BC projeta IPCA de 5% em março de 2025

BC projeta IPCA de 5% em março de 2025

Dólar sobe para R$ 4,98 em mais um dia de turbulência no mercado

Dólar sobe para R$ 4,98 em mais um dia de turbulência no mercado

Varejistas iniciam taxação de compras internacionais de até US$ 50

Varejistas iniciam taxação de compras internacionais de até US$ 50

Focus: estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis

Focus: estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis

após 19 semanas de alta, expectativa de inflação para 2025 fica estável

após 19 semanas de alta, expectativa de inflação para 2025 fica estável

O caminho para o desenvolvimento econômico mudou, diz Raghuram Rajan

O caminho para o desenvolvimento econômico mudou, diz Raghuram Rajan

Golpe da portabilidade: veja como é o crime e saiba se proteger

Golpe da portabilidade: veja como é o crime e saiba se proteger

Déficit primário pode fechar o ano em torno de R$ 8 bi, diz secretário

Déficit primário pode fechar o ano em torno de R$ 8 bi, diz secretário

Ibovespa termina sessão em queda de 0,22% com recuo de Petrobras e Vale

Ibovespa termina sessão em queda de 0,22% com recuo de Petrobras e Vale

Caixa conclui pagamento de setembro do novo Bolsa Família

Caixa conclui pagamento de setembro do novo Bolsa Família