sexta-feira, 4 de abril de 2025
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o que esperar do próximo presidente dos EUA na economia

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Falta pouco mais de três meses até que seja conhecido o novo presidente dos Estados Unidos. Até lá, as pesquisas de opinião, debates e discursos devem trazer oscilações para o mercado. Isso porque o resultado da eleição deve influenciar a economia norte-americana e mundial nos próximos quatro anos.

Para o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori, apesar de muitos acreditarem em uma vantagem de Trump, o resultado ainda não pode ser dado como certo. Tudo vai depender dos swing states, aqueles que variam entre a eleição de democratas e republicanos. “Acredito que vai ter emoção até a eleição. E emoção é volatilidade”, diz.

Caio Schettino, head de alocações da Criteria, concorda. “Muita gente tem dado Trump como certo, mas acho que não é bem assim. Kamala tem a vantagem de ter menor rejeição, por consequência de ser menos conhecida. Mas ela tem potencial”, diz.

Por outro lado, Igliori acredita que os impactos da eleição do republicano ou da democrata não serão fundamentais. “Nossa leitura é que instituições, sejam as mais próximas de mercado ou as mais políticas, garantem certa estabilidade de agenda, para o bem e para o mal”, afirma. O lado negativo disso, na visão do economista, é a trajetória do resultado fiscal, que preocupa o mercado.

Donald Trump pode pressionar inflação

Para Schettino, uma eventual vitória do republicano pode pressionar para cima a inflação americana. “A política imigratória de Trump, de inibir especialmente o trabalhador industrial, traz uma pressão salarial forte”, diz. “E os impostos e tarifas que ele deve sancionar para o setor solar e elétrico da China, e para os semicondutores de Taiwan, também tem esse efeito inflacionário”.

Igliori lembra também da agenda de incentivo à política industrial, o que deve levar a um estímulo da atividade local de curto prazo, e mais inflação.

“O bilionário adota uma política protecionista em relação ao país, buscando trazer valorização para os EUA. Em uma conjuntura internacional, Trump consegue desempenhar boa articulação comercial, muitas vezes realizando pressão em países para alcançar seus objetivos”, diz Lucas Sharau, assessor na iHUB Investimentos.

Por outro lado, isso traz um ponto de atenção na relação com a China. “O ex-presidente agia com a postura de ‘morde e assopra’ em relação à China, provocando intrigas e depois pressionando na direção que melhor lhe convinha, o que pode resultar em uma guerra comercial prolongada”.

Kamala Harris ainda traz dúvidas

Uma vitória de Kamala Harris, por outro lado, não tira a preocupação com a inflação. A candidata ainda não fez pronunciamentos contundentes sobre o tema, diz Igliori, e a expectativa é de pequenos ajustes, mas sem uma mudança importante na condução da política econômica. “É um discurso mais pró global, de mais internacionalização”, diz o economista.

“Uma grande interrogação é a questão ambiental”, diz Igliori. Isso porque uma agenda forte de transição energética traz gastos ao governo, o que pressiona a dívida americana.

“A atual gestão trouxe os índices de inflação americana para suas máximas, permanecendo em altos patamares por um período extenso. Como consequência, a moeda americana, para o americano, segue tendo menos poder de compra”, lembra Sharau.

 “O fiscal é o grande problema estrutural americano”, resume Igliori. “Porque nenhum candidato conseguiria mexer nisso muito rapidamente. Desde [o mandato] Obama, há a questão dos gastos sociais, que foram a resposta ao aumento da desigualdade nos Estados Unidos, e mexer nisso é muito complicado”, diz. Para ele, os gastos extraordinários com a pandemia de covid-19 também são um problema, mesmo que tenham sido reduzidos.

E na área de defesa, também é difícil que qualquer candidato consiga reduzir os gastos, com o cenário global de tensões geopolíticas.

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Fonte: B3 – Bora Investir

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