sexta-feira, 4 de abril de 2025
Search

Selic parou de cair. Como isso afeta o mercado de crédito privado?

Selic e juros sobem, mas PIB deve cair, projeta boletim Focus

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A redução da Selic — taxa básica de juros — dos 13,75% de agosto do ano passado para 10,50% atualmente melhorou a situação das empresas endividadas. Ao mesmo tempo, com a interrupção do ciclo de cortes ainda em dois dígitos, há pouco incentivo para que os investidores assumam mais riscos, para mercados como a renda variável. Essa foi a avaliação de gestores em evento realizado pela Icatu nesta quarta-feira (03/07). Por outro lado, o cenário no mercado de crédito exige cautela.

Os fundos de investimentos de renda fixa, por exemplo, foram os que mais captaram recursos no Brasil em 2024. Até maio, o dado mais recente divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), entraram R$ 171,6 bilhões nos fundos desse tipo. Em comparação, os produtos de ações tiveram resgates de R$ 4,2 bilhões, enquanto os multimercados somaram R$ 54,1 bilhões em saídas.

Qual impacto da Selic no mercado de crédito?

“O atual patamar de juros não é inviável para as companhias, é um cenário a que o empresário brasileiro está acostumado”, afirmou Pierre Jadul, da ARX. “Mas o mais importante são outras variáveis. Um cenário de dúvidas sobre o déficit fiscal e que começa a ter pressão no câmbio e juros longos, já não acho um ambiente tão tranquilo para companhias. A foto não é feia, mas o filme que estamos esperando para a frente é muito incerto”.

Antonio Correa, da Icatu Vanguarda, concorda que é preciso “olhar para o filme”. “A trajetória [dos juros] faz diferença. A gente saiu do 14%, chegamos no 10% e a curva futura embute expectativa de alta. Estruturalmente, não deveria ser nível de juros que deveria bagunçar muito as empresas”, diz.

Entretanto, ele diz que a Icatu tem se atentado ainda mais para a estrutura de financiamento e de capital das empresas. “As proteções que se coloca na dívida são muito importantes para [o gestor] poder conversar e conjuntamente chegar a novo arranjo para estrutura de capital da empresa”.

Isso porque o aumento do fluxo para o crédito privado tem consequências nas próprias emissões. Com mais dinheiro entrando, as empresas emissoras têm espaço para reduzir os prêmios de risco pagos.

Assim, o famoso spread, a diferença entre os juros pagos no mercado privado e os títulos públicos vistos como livres de risco, cai. Começam a surgir também emissões de dívidas a prazos mais longos.

“O fluxo vindo para [fundos de] crédito privado, que acontecem por diversas variáveis, impacta não só crédito, mas em uma redução dos convênios e dilatação dos prazos [das dívidas emitidas]. As empresa vêm aproveitando esse forte fluxo para reduzir prêmios de crédito, isso acaba virando muitas vezes armadilhas nos portfólios”, alerta André Fadul, da Safra Asset.

“Na esteira disso, temos visto emissões institucionais com spread baixo e duration maior, que a gente vê com mais crítica. A gente não gosta desses prazos mais longos com o patamar atual de prêmio”, diz Fadul. Traduzindo, um título de vencimento mais longo traz para a carteira mais risco. Mas os juros pagos não têm sido bons o suficiente para compensar esse risco maior.

Diante desse cenário de interrupção no corte da Selic, spread baixos e mais emissão de dívidas com prazos longos, Jadul, gestor da ARX, diz que isso exige algumas mudanças na composição do portfólio de fundos de crédito. “Gestores vêm tentando se defender desse ambiente em que créditos mais óbvios estão com spread mais baixos. Para tentar evitar alongar portfólio com spread baixo, a gente acaba abrindo mão de liquidez, [para encontrar papéis com a precificação adequada ao risco]”, diz.

Para conhecer mais sobre finanças pessoais e investimentos, confira os conteúdos gratuitos na Plataforma de Cursos da B3.



Fonte: B3 – Bora Investir

Gostou? Compartilhe com um Amigo!

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Siga nossas Redes Sociais

Google_News_icon
Google News

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem viu esse, também viu estes

Self-service: restaurantes de SP têm preço médio de R$ 82,22 o quilo

Self-service: restaurantes de SP têm preço médio de R$ 82,22 o quilo

Apagão cibernético global atrasa voos e prejudica serviços bancários e de comunicação

Apagão cibernético global atrasa voos e prejudica serviços bancários e de comunicação

Economia do país cresce 2,5% no primeiro trimestre, aponta IBGE

Economia do país cresce 2,5% no primeiro trimestre, aponta IBGE

Petrobras poderá perfurar poços na Margem Equatorial

Petrobras poderá perfurar poços na Margem Equatorial

Mega-Sena acumula mais uma vez e prêmio vai a R$ 170 milhões

Mega-Sena acumula mais uma vez e prêmio vai a R$ 170 milhões

Expansão de Refinaria Abreu e Lima ampliará em 40% produção de diesel

Expansão de Refinaria Abreu e Lima ampliará em 40% produção de diesel

Prévia da carga tributária cai para 32,44% do PIB em 2023

Prévia da carga tributária cai para 32,44% do PIB em 2023

Selo Verde vai ajudar a promover a neoindustrialização do Brasil

Selo Verde vai ajudar a promover a neoindustrialização do Brasil

Saque-aniversário do FGTS: nascidos em janeiro já podem retirar o valor

Saque-aniversário do FGTS: nascidos em janeiro já podem retirar o valor

Alckmin diz que setor automotivo investirá R$ 100 bilhões até 2029

Alckmin diz que setor automotivo investirá R$ 100 bilhões até 2029

exterior pode animar mercado local, mas Petrobras e IPCA são riscos

exterior pode animar mercado local, mas Petrobras e IPCA são riscos

exterior opera em queda; no Brasil, semana tem IPCA-15 e ata do Copom

exterior opera em queda; no Brasil, semana tem IPCA-15 e ata do Copom

Dólar sobe para R$ 4,98 e fecha no maior valor em 40 dias

Dólar sobe para R$ 4,98 e fecha no maior valor em 40 dias

Empresários prejudicados no RS já podem solicitar crédito do BNDES

Empresários prejudicados no RS já podem solicitar crédito do BNDES

Adiamento de reoneração para 2025 será negociado em projeto de lei

Adiamento de reoneração para 2025 será negociado em projeto de lei

Com queda na produtividade média, safra de grãos deve ser menor

Com queda na produtividade média, safra de grãos deve ser menor