sexta-feira, 4 de abril de 2025
Search

Tarifas de Trump podem causar recessão, mas Brasil está entre os países menos afetados

Tarifas de Trump podem causar recessão, mas Brasil está entre os países menos afetados

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesta quarta-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de tarifas que serão aplicadas sobre a importação de produtos. Para o Brasil, a tarifa será de 10%, o patamar mínimo desse pacote de “tarifas recíprocas” que vinha sendo prometido por Trump.

O impacto dessas tarifas no comércio internacional e na economia brasileira ainda está sendo avaliado. Para Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad, o anúncio “trouxe medidas duras, mas dentro do que era esperado pelo mercado”.

Paula destaca ainda que, em um primeiro momento, a própria população dos Estados Unidos será a mais afetada. “Embora o anúncio tenha como objetivo estimular e expandir a indústria doméstica, o mercado observa potenciais pressões inflacionárias e aumentos nos custos, podendo gerar choques negativos para a atividade – lembrando que quem pagará mais pelos produtos importados não serão os estrangeiros, e sim os americanos”, complementa.

Para o Brasil, entretanto, o efeito pode ser menor. “Eu vejo o Brasil como talvez um dos menos piores, um dos menos afetados por essas tarifas, até pensando na alíquota e pensando que o Brasil poderia conquistar alguns mercados, principalmente os mercados asiáticos, que já tem uma presença forte, já tem um know-how, já faz há bastante tempo”, diz Frederico Nobre, gestor de investimentos da Warren.

Já Marcos Freitas, analista da AF Invest, entende que foram anunciados “números mais agressivos do que o mercado esperava”. Além disso, Freitas ressalta que esse é apenas o começo de uma discussão e que ainda deve haver muita negociação. “Teremos concessões sendo feitas ao longo das próximas semanas, provavelmente. É um convite para a mesa de negociação, principalmente para os países mais afetados, como China e União Europeia”, diz.

Para o analista, as medidas anunciadas foram brandas para os países da América Latina. “Tanto para o Brasil quanto para o Chile – e, no geral, os países da América Latina, tirando o México – tiveram algum alívio. A questão que fica é se essas tarifas vão ser cumulativas. Aqui no Brasil, já temos tarifas setoriais, sobre o alumínio. Fica a dúvida se vão ser tributados novamente com esses 10%”.

Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, entende que é incorreta a ideia de que essas tarifas são recíprocas. “Não foi tarifa recíproca. A tarifa recíproca é a ideia de que se um país tarifa os Estados Unidos em 30%, os Estados Unidos vão lá e tarifam 30% de volta. Eles pegaram os grandes déficits comerciais que os Estados Unidos têm com os países e colocaram uma tarifa em cima. É uma tarifação de produtos de países que causam déficit nos Estados Unidos, que causam dificuldades para a indústria americana”, analisa.

Sobre os efeitos do pacote de medidas, Gala acredita que a expectativa é por um período de recessão. “Há uma incerteza gigante, porque uma empresa multinacional que produzia no Vietnã, na China, em Taiwan ou em algum país europeu vai pensar duas vezes agora. O que ela vai fazer? Ela vai deslocar a planta para os Estados Unidos? Vai ampliar, vai fechar a planta? Então, as decisões empresariais vão ficar em suspenso por um tempo. Isso é um grande causador da recessão, até porque não se sabe ainda se haverá reversão dessas tarifas, se os países vão retaliar ou não”, conclui.

Impactos no mercado financeiro

Frederico Nobre, gestor de investimentos da Warren, crê que, neste momento de instabilidade, os ativos de maior risco devem ter menos apelo. “Essa incerteza vem pesando no sentimento dos mercados financeiros no mundo inteiro, principalmente dos ativos de risco. A gente tem ali um risco tanto de desaceleração da economia global como também de recessão cada vez maior nos Estados Unidos”, afirma.

O gestor complementa que o mercado agora aguarda as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e busca ativos que garantam mais estabilidade e segurança. “O câmbio vem cedendo em relação a moedas de mercados emergentes. O Brasil tem performado bem este ano, o real é a melhor moeda entre os emergentes, com exceção da Rússia. A aposta é que o Fed deve cortar os juros um pouco mais rápido, com o mercado precificando três cortes para esse ano. Com isso, você tem possivelmente um dólar mais fraco. Acho que, diante dessa incerteza, você tem um movimento de flight to quality, que são os investidores migrando para ativos mais seguros”, finaliza.

As tarifas de Trump para os principais países

  • China: 34%
  • UE: 20%
  • Vietnã: 46%
  • Taiwan: 32%
  • Japão: 24%
  • Índia: 26%
  • Coreia: 25%
  • Brasil: 10%
  • Reino Unido: 10%
  • Suíça: 31%
  • Indonésia: 32%
  • Filipinas: 17%
  • Israel: 17%

Para conhecer mais sobre finanças pessoais e investimentos, confira os conteúdos gratuitos na Plataforma de Cursos da B3. Se já é investidor e quer analisar todos os seus investimentos, gratuitamente, em um só lugar, acesse a Área do Investidor.



Fonte: B3 – Bora Investir

Gostou? Compartilhe com um Amigo!

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Siga nossas Redes Sociais

Google_News_icon
Google News

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem viu esse, também viu estes

Bets não autorizadas serão suspensas nesta terça

Bets não autorizadas serão suspensas nesta terça

Ibovespa tem melhor desempenho de 2024 em agosto; o que esperar da bolsa até o fim do ano?

Ibovespa tem melhor desempenho de 2024 em agosto; o que esperar da bolsa até o fim do ano?

BCE decide manter juros inalterados pela terceira vez e reforça discurso sobre aperto prolongado

BCE decide manter juros inalterados pela terceira vez e reforça discurso sobre aperto prolongado

Preço de alimentos e juros contribuíram para frear inflação em 2023

Preço de alimentos e juros contribuíram para frear inflação em 2023

Fortalecer acordos comerciais é uma das prioridades do governo federal

Fortalecer acordos comerciais é uma das prioridades do governo federal

Regras de distribuição de prêmios de sorteios são flexibilizadas no RS

Regras de distribuição de prêmios de sorteios são flexibilizadas no RS

IGP-M cai mais que o esperado em março e acumula queda de 4,26% em 12 meses

IGP-M cai mais que o esperado em março e acumula queda de 4,26% em 12 meses

Ibovespa acumula alta de 2,5% na semana e fica perto de máxima histórica; dólar baixa a R$ 5,46

Ibovespa acumula alta de 2,5% na semana e fica perto de máxima histórica; dólar baixa a R$ 5,46

Servidores federais fazem contraproposta para reajuste em benefícios

Servidores federais fazem contraproposta para reajuste em benefícios

Entidades da indústria elogiam nova política para o setor

Entidades da indústria elogiam nova política para o setor

Rádio Nacional estreia narração e equipe 100% femininas no Brasileiro

Rádio Nacional estreia narração e equipe 100% femininas no Brasileiro

Mercado eleva para 1,59% projeção de expansão da economia em 2024

Mercado eleva para 1,59% projeção de expansão da economia em 2024

Copom reduz Selic em 0,25 p.p., para 10,50%, em decisão dividida

Copom reduz Selic em 0,25 p.p., para 10,50%, em decisão dividida

Ibovespa sobe 0,65% com Vale, Petrobras e bancos; dólar fica estável

Ibovespa sobe 0,65% com Vale, Petrobras e bancos; dólar fica estável

veja limites, tabela e o que já se sabe

veja limites, tabela e o que já se sabe

EUA retiram direito antidumping para tubos de aço brasileiros

EUA retiram direito antidumping para tubos de aço brasileiros